Há algum tempo que não escrevo aqui, mas o momento atual do Palmeiras no Campeonato Brasileiro merece umas alfinetadas. Somos líderes do campeonato mesmo com inúmeros tropeços ao longo do caminho, e, comandados pelo ex-São Paulo Muricy Ramalho, olhamos para o retrovisor e enxergamos os “bambis” se aproximando. Faltando treze rodadas para o fim do campeonato, a pergunta maior é: o Verdão tem realmente gás para ser campeão?
Vários podem ser os argumentos a entrar nesta resposta: 1) o Alviverde tem sim o melhor plantel do país; 2) o time está sofrendo muito com a lesão de uma principal peça do time, Pierre, que não deve voltar até o fim do campeonato; 3) o time depende incrivelmente de Diego Souza e Cleiton Xavier – jogando juntos – para funcionar; e 4) o time tem tido mais sorte do que juízo nos últimos jogos.
Quanto ao jogo de ontem, no Mineirão, fiquei satisfeito. O que manchou a imagem do jogo foi só aquele pênalti pra cartão vermelho que o Jumar fez e o juiz não marcou. Se tivesse marcado, o Verdão podia ter pressionado e ganhado do mesmo jeito.
Ao início, quando olhei a escalação no papel, saltei da cadeira e gritei: “é isso!”. A escalação perfeita. Marcos no gol, Wendel na lateral direita e Pablo Armero na esquerda, na dupla de zaga Maurício Ramos e Marcão (Danilo no lugar dele, óbvio), como volantes Jumar e Souza (que pensei que era a melhor alternativa reserva), além de Diego Souza e Cleiton Xavier. Na frente, o atacante do amor e Robert (Obina ficou no banco, aleluia!!).
O destaque maior fica para o fim do jogo, quando o time estava só com dez e mostrou muita garra (como há tempos eu não via) para segurar o placar no 2 a 1. Só pra lembrar: quem abriu o placar foi o Cruzeiro, com um erro de marcação do Marcão, depois Diego cobrou uma falta com uma “rosca” maravilhosa e o goleirão aceitou, e por fim, dois talentos se uniram: o lançamento de Cleiton e a explosão e finalização de Vagner. Golaço.
Dando uma analisada individual: no gol, tenho visto o Marcos meio inseguro nos últimos jogos. Contra o Vitória fez várias lambanças, e ontem saiu sem firmeza algumas vezes. Levando-se em consideração que salvou algumas bolas fundamentais e que tem muitíssimo crédito, está de parabéns.
Nas laterais, estreou ontem o famigerado Figueroa, depois que abriram a boca do Wendel além do habitual. Apesar de só ter defendido, ele parece ter cacife pra brigar pela vaga no time titular. Na lateral esquerda, Pablito é fundamental para o time, apesar de seu temperamento meio explosivo, tanto que foi expulso ontem. Mas quanto a isso, o Palmeiras já está acostumado.
Na zaga, percebi ontem como o Maurício Ramos é bom e importante pro time. Não pode ficar de fora mais. Quanto ao Marcão, serve como coringa pro banco de reservas, mas não como titular, independente da função. É lento e truculento. Danilo é indispensável pro plantel. O Maurício jogou ontem também, e depois de ter sido titular alguns jogos passados, provou que tem de comer muito feijão pra ser um destaque.
A dupla de volantes foi o que mais me desapontou ontem. Antes mesmo dessa rodada, eu havia apostado nesses dois nomes para substituir Pierre e Edmilson, e creio ainda no potencial deles. Mas ontem não foram tão bem. Jumar estava muito estabanado, levou um cartão amarelo logo cedo, o que obrigou o Souza a recuar e não ajudar na saída de bola. Aí ficou assim: a marcação e a armação falhando.
Quanto aos armadores, que maravilha! Que noite! Que espetáculo! O Mago que me perdoe, mas não estou sentindo falta dele. Diego e Cleiton estão no auge do auge. Sem mais comentários.
Por fim, no ataque, Vagner Love começou a mostrar suas credenciais. Ele tem muito mais potencial do que isso que está jogando. Voltou outra pessoa depois desses longos anos na Rússia. É um jogador muito mais completo. Robert foi titular com ele, e realmente acho que merece a posição. É melhor que Ortigoza e milênios melhor que Obina. No fim do jogo entrou Willians, com uma bomba: o campo encharcado e só ele no ataque. Mas ele ainda está rendendo abaixo do que rendia no primeiro semestre.
Resumindo, o Palmeiras tem – e muita – condição de ser campeão, se tiver a sorte de manter um elenco estável, o que até agora parece missão impossível. A única dúvida que ainda paira sob o time é como suprir a falta de Pierre. Não existe no plantel – pelo menos não se manifestou até agora – um volante roubador como ele. Muricy, senhor retranca, certamente vai apostar nos três zagueiros para resolver o problema. Se o trio for Maurício Ramos, Danilo e Edmilson, pode até dar certo. Senão, fica complicado. A melhor defesa do campeonato pode ir por água abaixo, e junto dela, o título.
