quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Que vergonha!!

Antes de começar o jogo, eu já previa que ele seria a última pá de terra jogada sob o caixão onde jaz o sonho palmeirense de ser campeão brasileiro em 2009. Não imaginava, porém, que essa partida trouxesse um caminhão basculante de todo tipo de entulho para jogar sob nossa sepultura. Como já diz aquele famoso ditado futebolístico: “nem o mais pessimista previu isso”. Eu estava entre os pessimistas. E fiquei realmente assustado.

Como analisar um esquema tático, falar da atuação de um jogador, comentar os gols do derby, sendo que na saída do intervalo um jogador do seu time desfere um soco contra o seu próprio companheiro, fazendo com que os dois sejam expulsos? Eu, nessa década e meia de experiência como torcedor, nunca tinha visto algo do gênero: um time voltar com nove jogadores por causa de um lance que não envolveu adversários.

A cena patética – até imagino os são-paulinos não se agüentando de tanto rir – comprova o que eu vinha dizendo a todos que me encontravam por aí e também aqui neste blog: o problema do time do Palmeiras foi o destempero emocional. Ficou claro que foi isso que fez o time vacilar em tantos jogos fáceis. Há várias rodadas eu percebi que a equipe estava como um daqueles maratonistas que disparam na liderança da prova, mas que, por medo de correr sozinho, deixa que os adversários se aproximem e o ultrapassem.

E não tenho medo de arriscar quem começou com todo este problema, e podem me chamar de louco: o nome dele é Keirrison. O que um moleque que nem no Brasil mora mais tem a ver com a história? Ora bolas, foi ele que começou neste ano um fenômeno já muito observado no Verdão nas temporadas anteriores: o “mascaramento”, a “firulagem”, o pouco-caso com a equipe. O resto da novela, vocês já sabem: o Luxa, que estava muito a fim de ser campeão (sem ironias), ficou irado com o rapaz, e foi ele quem foi pra rua. Entrou o Jorginho, cara que o plantel e a torcida gostaram muito, mas – talvez por excesso de zelo – a diretoria foi mendigar a vinda de Muricy, que chegou a contragosto seu, dos jogadores e da torcida. Desde então é só altos e baixos, numa instabilidade que sempre tendeu ao negativo.

Por fim, o cruzado de esquerda que Obina tentou acertar em Maurício foi só o extravasamento em público de todo clima ruim que se acumulou desde então entre os todo mundo lá dentro. Podemos apontar muitos culpados: Keirrison, como já disse, o próprio Vanderlei, a diretoria, e – principalmente – Muricy Ramalho, que não conseguiu – com pequeno esforço – segurar o rojão da galera.

Agora é rezar para não sair do G-4, o que tem muito risco de acontecer. Mas, moralmente, a temporada já acabou. Ano que vem tudo vai mudar, sem Traffic, sem jogadores mercenários, limpos dos tentáculos do Luxemburgo, e se a diretoria for inteligente, sem Muricy. Prefiro um time modesto, mas sincero e com vontade, do que um timaço como o desse ano, jogando sem escrúpulos.

Termino citando o goleiro Marcos, eterno termômetro do time, que disse que talvez não termine seu contrato com o Palmeiras, pois não tem paciência com certas coisas do futebol de hoje em dia, feito por esses jogadores jovens e, completo eu, imaturos. Depois de dois anos de quase, São Marcos, posso dizer que sou tomado pelo mesmo espírito seu. E no dia que você pendurar as luvas por não tolerar mais certos comportamentos, pode ter certeza que também pendurarei minha camiseta de torcedor e vou arranjar mais o que fazer da minha vida.

Terra Esportes

Globo.com